Rio de Janeiro, 30 de Agosto de 2025

China e Brasil: história de uma parceria estratégica

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Terça, 16 de Agosto de 2022 às 06:31, por: CdB

Não é possível deixar de registrar o quanto a China e, notadamente, a comunidade chinesa que aqui vive e trabalha há mais de dois séculos, contribuíram no passado e contribuem no presente para o desenvolvimento brasileiro.

Por Luis Antônio Paulino - de São Paulo

A influência chinesa na formação social do Brasil, fartamente documentada pelo eminente sociólogo brasileiro Gilberto Freyre, em obras clássicas, como Casa Grande e Senzala e Sobrados e Mucambos, é quase tão antiga quanto o próprio Brasil, dados os laços históricos que uniram Brasil e China, por meio de Macau, desde o século XVI.
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A ex-presidenta Dilma Rousseff e o primeiro-ministro da China, Li Keqiang, durante cerimônia de assinatura de atos, no Palácio do Planalto
Convencionou-se, entretanto, adotar o dia 15 de agosto de 1808, como a data de chegada do primeiro grupo de imigrantes chineses ao Brasil, pois, naquela data, conforme registra o eminente jornalista Jayme Martins, o Livro de Registros da Hospedaria de Imigrantes existente na Capital paulista registra a chegada, no porto de Santos, de um barco português, procedente de Macau, com 400 cidadãos de nacionalidade chinesa, para aqui viver e trabalhar. Comemoramos, assim, em 2022, 214 anos da imigração chinesa para o Brasil. Comemoramos igualmente 48 anos das relações diplomáticas entre Brasil e China, estabelecidas em 1978. Também nesse caso é preciso registrar que as relações oficiais entre os dois países datam de muito antes, pois a primeira missão oficial do Brasil à China ocorreu exatamente 100 anos antes daquela data, em 1879, por ocasião da primeira viagem de circum-navegação da Marinha Imperial Brasileira, realizada por uma embarcação brasileira, a Corveta Vital de Oliveira.

Relações bilaterais

Ao olhar para esse horizonte deixado para trás e para a pujança atual das relações bilaterais entre Brasil e China não é possível deixar de registrar o quanto a China e, notadamente, a comunidade chinesa que aqui vive e trabalha há mais de dois séculos, contribuíram no passado e contribuem no presente para o desenvolvimento brasileiro. Tal contribuição tem sido expressiva em todos os campos da atividade humana: no desenvolvimento agrícola, industrial, científico, cultural e artístico. Eminentes artistas e intelectuais chineses viveram e hoje vivem no Brasil. Como registra Jayme Martins, vieram para o Brasil não apenas trabalhadores comuns, mas também médicos, engenheiros, cientistas e artistas. Chang Tachei, um dos maiores pintores chineses de todos os séculos, viveu por nove anos, de 1954 a 1963, aqui em São Paulo, nos arredores de Mogi das Cruzes. A primeira vacina contra a covid-19 produzida no Brasil, pelo Instituto Butantan, foi resultado da parceria com uma empresa chinesa. A primeira iniciativa de pesquisa espacial conjunta entre países em desenvolvimento ocorreu entre Brasil e China, como o desenvolvimento conjunto do satélite de sensoriamento remoto CBERS, em 1988, e até hoje em andamento, com sucessivos lançamentos de novos satélites. A contribuição de centenas de empresas chinesas, hoje instaladas no Brasil, atuando nas mais diferentes áreas, da agricultura e mineração à infraestrutura e indústria de alta tecnologia, gerando empregos, tecnologia e divisas não pode igualmente ser subestimada, assim como o mercado chinês que recebe hoje a maior parte de nossas exportações. A China é, hoje, um parceiro insubstituível no desenvolvimento do Brasil. Por tudo isso, a comemoração dessas duas efemérides é motivo de alegria e orgulho para todos nós brasileiros.  

Luis Antônio Paulino, é professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), diretor do Instituto Confúcio na Unesp, pesquisador do Instituto de Estudos de América Latina da Universidade de Hubei, China e colaborador do portal Bonifácio.

As opiniões aqui expostas não representam necessariamente a opinião do Correio do Brasil

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