Não é possível deixar de registrar o quanto a China e, notadamente, a comunidade chinesa que aqui vive e trabalha há mais de dois séculos, contribuíram no passado e contribuem no presente para o desenvolvimento brasileiro.
Por Luis Antônio Paulino - de São Paulo
A influência chinesa na formação social do Brasil, fartamente documentada pelo eminente sociólogo brasileiro Gilberto Freyre, em obras clássicas, como Casa Grande e Senzala e Sobrados e Mucambos, é quase tão antiga quanto o próprio Brasil, dados os laços históricos que uniram Brasil e China, por meio de Macau, desde o século XVI.Relações bilaterais
Ao olhar para esse horizonte deixado para trás e para a pujança atual das relações bilaterais entre Brasil e China não é possível deixar de registrar o quanto a China e, notadamente, a comunidade chinesa que aqui vive e trabalha há mais de dois séculos, contribuíram no passado e contribuem no presente para o desenvolvimento brasileiro. Tal contribuição tem sido expressiva em todos os campos da atividade humana: no desenvolvimento agrícola, industrial, científico, cultural e artístico. Eminentes artistas e intelectuais chineses viveram e hoje vivem no Brasil. Como registra Jayme Martins, vieram para o Brasil não apenas trabalhadores comuns, mas também médicos, engenheiros, cientistas e artistas. Chang Tachei, um dos maiores pintores chineses de todos os séculos, viveu por nove anos, de 1954 a 1963, aqui em São Paulo, nos arredores de Mogi das Cruzes. A primeira vacina contra a covid-19 produzida no Brasil, pelo Instituto Butantan, foi resultado da parceria com uma empresa chinesa. A primeira iniciativa de pesquisa espacial conjunta entre países em desenvolvimento ocorreu entre Brasil e China, como o desenvolvimento conjunto do satélite de sensoriamento remoto CBERS, em 1988, e até hoje em andamento, com sucessivos lançamentos de novos satélites. A contribuição de centenas de empresas chinesas, hoje instaladas no Brasil, atuando nas mais diferentes áreas, da agricultura e mineração à infraestrutura e indústria de alta tecnologia, gerando empregos, tecnologia e divisas não pode igualmente ser subestimada, assim como o mercado chinês que recebe hoje a maior parte de nossas exportações. A China é, hoje, um parceiro insubstituível no desenvolvimento do Brasil. Por tudo isso, a comemoração dessas duas efemérides é motivo de alegria e orgulho para todos nós brasileiros.Luis Antônio Paulino, é professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), diretor do Instituto Confúcio na Unesp, pesquisador do Instituto de Estudos de América Latina da Universidade de Hubei, China e colaborador do portal Bonifácio.
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