Rio de Janeiro, 30 de Agosto de 2025

Bolsonaro é alvo de suspeitas por lavagem de dinheiro

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Sexta, 22 de Agosto de 2025 às 21:20, por: CdB

Ainda em 2023, aliados fizeram uma campanha para arrecadar dinheiro para Bolsonaro pagar multas e advogados, o que gerou uma onda de doações por PIX.

Por Redação – de Brasília e São Paulo

O ex-mandatário neofascista Jair Bolsonaro (PL) recebeu desde que foi derrotado na eleição de 2022 pelo atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), cerca de R$ 44,3 milhões em suas contas bancárias. O movimento, desde março de 2023 a junho de 2025, consta na análise da Polícia Federal (PF) e indica um aprofundamento da investigação como uma possível lavagem de dinheiro.

Bolsonaro é alvo de suspeitas por lavagem de dinheiro | O ex-mandatário neofascista Jair Bolsonaro (PL) encontra-se em prisão domiciliar
O ex-mandatário neofascista Jair Bolsonaro (PL) encontra-se em prisão domiciliar

O documento foi juntado ao inquérito sobre as suspeitas de obstrução do julgamento da trama golpista, que levaram ao indiciamento do ex-presidente e do seu filho Eduardo Bolsonaro (PL-SP). A análise se baseia em informações levantadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

A maior parte dos valores movimentados concentra-se em apenas um ano, quando o Bolsonaro recebeu cerca de R$ 30 milhões. Já o segundo maior montante recebido foi de 20 de dezembro de 2024 a 5 de junho deste ano, quando embolsou R$ 11,1 milhões.

 

Montante

Em quase dois anos, R$ 20,7 milhões recebidos foram provenientes de transações em PIX, e cerca de R$ 19,3 milhões foram enviados de março de 2023 a fevereiro de 2024. Enquanto o montante recebido do PL em todo o período, segundo esses dados, foi de R$ 1,1 milhão.

Ainda em 2023, aliados fizeram uma campanha para arrecadar dinheiro para Bolsonaro pagar multas e advogados, o que gerou uma onda de doações por PIX. O relatório da PF relata apenas os recebimentos, sem se referir à campanha, que foi alvo de suspeitas por parte da PF, que vê indícios de lavagem de dinheiro e de outros ilícitos penais por parte do ex-presidente e de seu filho, conhecido como ’03’.

A defesa de Bolsonaro disse, na véspera, que recebeu a notícia do indiciamento com surpresa e que “jamais houve o descumprimento de qualquer medida cautelar previamente imposta” pelo Supremo Tribunal Federal (STF). E ’03’ chamou, em nota na noite passada, de “crime absolutamente delirante” os apontamentos que resultaram no indiciamento.

 

Análise

Bolsonaro foi identificado, no relatório da PF, como parte envolvida em comunicações reportadas por unidades de inteligência financeira ao Coaf. Ainda de acordo com a investigação, as operações financeiras com suspeitas de “lavagem de dinheiro e outros ilícitos” nas contas de Bolsonaro ocorreram entre 1º de março de 2023 e 5 de junho de 2025.

Apenas de 1º de março de 2023 a 7 de fevereiro de 2024, teriam sido movimentados R$ 30.576.801,36 em créditos e R$ 30.595.430,71 em débitos nessas contas, aponta a análise.

O documento registra nesse período o recebimento, via Pix, de R$ 19,3 milhões em 1.214.254 lançamentos. Já o PL, partido de Bolsonaro, que aparece como o principal pagador nesse período de um ano, transferiu o montante de R$ 291,7 mil a Bolsonaro. Os maiores gastos, por sua vez, foram feitos aos advogados do ex-presidente, no valor de R$ 6,8 milhões.

 

Depoimento

Bolsonaro admitiu, em juízo, que as transferências a ’03′ foram abastecidas por campanhas de doação feitas por apoiadores do ex-presidente. A investigação também afirma que Bolsonaro realizou 40 transações de janeiro a julho de 2025, entre saques em caixas eletrônicos e atendimento presencial em guichê bancário.

“No total, foram contabilizados R$ 130.800,00. Não se ignora a eventual necessidade do ex-presidente em realizar despesas de pequeno vulto, sobretudo durante deslocamentos e viagens realizadas ao longo de agendas públicas. Entretanto, o grande volume de transações em dinheiro físico é indício relevante no contexto probatório, considerando os riscos associados à falta de rastreabilidade e a possibilidade de financiamento de ações de caráter ilícito”, finaliza o inquérito.

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