O presidente ucraniano denunciou um “novo espetáculo mortal” por parte da Rússia, enquanto os Estados Unidos pressionam Moscou a encerrar a invasão da Ucrânia, que já dura mais de três anos.
Por Redação, com RFI – de Kiev
O presidente ucraniano pediu nesta quinta-feira que o mundo trabalhe por uma “mudança de regime” na Rússia, após bombardeios russos em Kiev que deixaram ao menos sete mortos nessa madrugada. Volodymyr Zelensky também reagiu ao anúncio de Moscou sobre a tomada de uma cidade estratégica no leste do país.

– Se o mundo não buscar uma mudança de regime na Rússia, isso significa que, mesmo após o fim da guerra, Moscou continuará tentando desestabilizar os países vizinhos – declarou Zelensky, ao participar de uma videoconferência para marcar os 50 anos dos Acordos de Helsinque.
– Acredito que a Rússia pode ser pressionada a encerrar esta guerra. Foi Moscou que iniciou o conflito e pode ser forçada a pôr fim a ele – acrescentou, poucas horas após os novos ataques russos. Para deter a “máquina de guerra russa”, o presidente ucraniano propõe a confiscação de ativos russos no exterior, em vez de apenas congelá-los.
Além dos sete mortos, o ataque com drones e mísseis ocorrido nessa madrugada também deixou ao menos 50 feridos, segundo o último balanço oficial. Zelensky informou nas redes sociais que um menino de seis anos está entre as vítimas. Nove crianças estão entre os feridos, segundo o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, via Telegram.
O presidente ucraniano denunciou um “novo espetáculo mortal” por parte da Rússia, enquanto os Estados Unidos pressionam Moscou a encerrar a invasão da Ucrânia, que já dura mais de três anos.
Segundo a Força Aérea da Ucrânia, a Rússia lançou durante a noite “309 drones” e “oito mísseis de cruzeiro” contra o país, tendo Kiev como principal alvo. O exército ucraniano afirmou ter abatido 288 drones e três mísseis.
Testemunhas que estavam no local de uma das explosões relataram prédios residenciais destruídos e carros queimados. Bombeiros tentavam apagar focos de incêndio, enquanto equipes de resgate buscavam sobreviventes entre os escombros.
Descrevendo “uma manhã horrível em Kiev”, onde “prédios residenciais foram destruídos e escolas e hospitais danificados”, o vice-ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andriï Sybiga, afirmou na rede X que “é hora de exercer máxima pressão sobre Moscou”.
– O presidente (americano) Trump foi muito generoso e paciente com Putin, tentando encontrar uma solução”, acrescentou. “É hora de sincronizar todas as medidas de sanção. É hora de impor a paz pela força – disse, acusando o presidente russo de apenas “buscar destruir e matar”.
Rússia afirma ter conquistado mais uma cidade ucraniana
Na manhã de quinta-feira, o exército russo afirmou ter conquistado a cidade de Tchassiv Iar, antigo bastião das forças ucranianas na região de Donetsk (leste), onde as tropas de Moscou avançam lentamente há meses. A informação foi imediatamente desmentida pelo exército ucraniano.
– Claro que isso não é verdade (…) é uma mentira total – declarou á agência francesa de notícias Agence France-Presse (AFP) Viktor Tregoubov, porta-voz do agrupamento de forças Khortytsia, responsável pela área.
Parlamento vota proposta para revogar lei que flexibiliza combate à corrupção
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky anunciou nesta quinta-feira que promulgou a lei que restabelece a independência dos órgãos anticorrupção, recém-aprovada pelo parlamento, revertendo um texto anterior criticado pela sociedade civil e pela União Europeia.
– Acabei de assinar o documento e o texto será publicado imediatamente – disse ele em uma mensagem publicada no Telegram, comemorando o fato de que essa legislação garante “o funcionamento normal e independente” desses órgãos.
A lei, aprovada em 22 de julho, colocava a Agência Nacional Anticorrupção (NABU) e a Procuradoria Especializada Anticorrupção (SAP) sob a tutela direta do procurador-geral, nomeado pelo presidente. Criticada pela sociedade civil e pela União Europeia, a medida provocou as primeiras grandes manifestações na Ucrânia desde o início da invasão russa em 2022.
Ucrânia intensifica ataques contra a Rússia
As forças russas intensificaram os ataques mortais na Ucrânia nos últimos dias, justamente quando o presidente americano Donald Trump deu um prazo de dez dias, a partir de terça-feira, para que Vladimir Putin encerre o conflito, sob pena de novas sanções.
Na noite de segunda para terça-feira, pelo menos 25 civis — incluindo uma mulher grávida e cerca de 15 pessoas detidas em uma colônia penal na região de Zaporíjia (sul) — morreram em bombardeios russos.