Três generais que participaram de governos anteriores e a mulher de um quarto estão entre os radicais. Usaram como justificativa as últimas medidas do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.
Por Redação – de São Paulo
Um grupo de oficiais da reserva ligado ao governo do ex-mandatário neofascista Jair Bolsonaro (PL) tentou escalar a crise política em curso, levando-a para dentro dos quartéis. “Foram neutralizados, sem a necessidade de nenhuma conversa no Forte Caxias para lhes impor aquilo que diziam defender quando estavam na ativa: disciplina”, revela o colunista Marcelo Godoy, repórter especial do diário conservador paulistano O Estado de S. Paulo.

“Três generais que participaram de governos anteriores e a mulher de um quarto estão entre os radicais. Usaram como justificativa as últimas medidas do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.
“Foi nesse clima que o Alto Comando se reuniu na semana passada e chegou ao consenso de que a crise é política e que a instituição não deve ser contaminada pelos humores da Praça dos Três Poderes. A conclusão é de que o objetivo dos radicais da ultradireita era acrescentar à bagunça institucional uma crise militar, desestabilizando o general Tomás para retirar a legitimidade do atual Alto-Comando, visto como obstáculo a um golpe.
Trincheira
“Entre os generais, há quem lembre que, em um país dividido, o discurso dos radicais da ultradireita, que dizem representar ‘o povo’, lembra o de grupos que resolveram pegar em armas contra o regime militar, nos anos 1960. A ultra esquerda também acreditava representar ‘o povo’. O problema é que ontem – como hoje – ninguém se perguntava se o povo queria a radicalização que exclui da cidadania os que pensam diferente de quem defende o golpe ou a revolução”, acrescenta Godoy.
Segundo o colunista, desde 2022, o comandante Tomás Paiva e Richard Nunes, ex-chefe do Estado-Maior do Exército estão entre os principais alvos da campanha de difamação da ultradireita, que busca desestabilizar o país.
“O radicalismo é sempre assim. Parece ombrear com os que defendem o Brasil, mas ao fim e ao cabo, são os autores de crimes, massacres, conspirações e badernas. O que as cerimônias em Brasília parecem demonstrar é que eles estão do outro lado da trincheira da ética e da legalidade. Foi por isso que a mensagem de Mallet falou mais alto no Forte Caxias”, conclui Godoy.