O presidente reiterou que a Ucrânia precisa de uma zona de exclusão aérea em seu território, pedido já rechaçado pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), já que poderia colocar a aliança militar em confronto direto com a Rússia e desencadear uma terceira guerra mundial.
Por Redação, com ANSA - de Kiev
Em discurso ao Congresso dos Estados Unidos, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, comparou nesta quarta-feira a situação de seu país com os atentados de 11 de setembro, que deixaram um saldo de quase 3 mil mortos em 2001. O discurso, porém, caiu no vazio, uma vez que os EUA se negam a um confronto direto com os russos.
Ovacionado de pé pelos congressistas norte-americanos, Zelensky falou por meio de videoconferência e procurou manter o discurso otimista perante a agressão russa, mas voltou a cobrar mais ajuda das potências ocidentais.
– Esse é um terror que a Europa não via havia 80 anos. Lembrem-se de Pearl Harbor, na terrível manhã de 7 de dezembro de 1941, quando seus céus ficaram pretos com os aviões atacando vocês.
Lembrem-se do 11 de setembro, o terrível dia quando o mal tentou tornar suas cidades em campo de batalhas. Nosso país experimenta isso todos os dias", disse.
O presidente reiterou que a Ucrânia precisa de uma zona de exclusão aérea em seu território, pedido já rechaçado pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), já que poderia colocar a aliança militar em confronto direto com a Rússia e desencadear uma terceira guerra mundial.
– Precisamos de uma zona de exclusão sobre a Ucrânia ou então de aviões. Vocês sabem que eles existem. Vocês dizem 'I have a dream' ('Eu tenho um sonho', frase icônica de Martin Luther King), e posso dizer a vocês: 'I have a need' (Eu tenho uma necessidade), que é proteger nosso espaço aéreo – afirmou.
Zelensky expressou gratidão pela ajuda dos EUA, mas disse que o país pode "fazer mais para parar a máquina de guerra da Rússia".
– Mas não vamos nos render – garantiu. O presidente ainda pediu que Washington sancione "todos os políticos russos" e cobre que todas as empresas norte-americanas deixem a Rússia imediatamente.
Diversos países ocidentais
O mandatário tem feito discursos aos parlamentos de diversos países ocidentais para tentar aumentar a pressão por suporte militar. A Otan, no entanto, teme que um envolvimento maior de seus membros no conflito cause uma escalada militar potencialmente catastrófica para todo o mundo.
O próprio presidente dos EUA, Joe Biden, já reiterou que vai defender "cada centímetro" de território da Otan, mas deixou claro que não enviará tropas e aviões para combater na Ucrânia.