Desde o início do verão, vários países da Europa têm sido atingidos por intensas ondas de calor, favorecendo a propagação de incêndios.
Por Redação, com RFI – de Istambul
As autoridades provinciais de Diyarbakir, no sudeste da Turquia, emitiram nesta segunda-feira um alerta à população sobre temperaturas “de 4 a 6 graus acima das médias sazonais até 2 de agosto”. Os termômetros atingiram o recorde histórico de 50,5°C na sexta-feira em Silopi, na fronteira com o Iraque e a Síria. As altas temperaturas no Hemisfério Norte têm favorecido os incêndios florestais, como em Portugal e na Grécia.

Desde o início do verão, vários países da Europa têm sido atingidos por intensas ondas de calor, favorecendo a propagação de incêndios. Esses incidentes estão associados a diversos fenômenos previstos por cientistas em decorrência do aquecimento global.
De acordo com as previsões meteorológicas, e ao contrário da vizinha Grécia, onde a onda de calor parece estar diminuindo, as temperaturas devem continuar elevadas nesta semana na Turquia, atingindo 40 a 45°C na Anatólia Central e 45 a 50°C no sudeste do país, na terça-feira.
Equipes de bombeiros turcos continuam lutando, pelo terceiro dia consecutivo, contra três focos de incêndio ao redor de Bursa (noroeste), a quarta maior cidade do país e um importante polo industrial.
Apesar dos grandes recursos mobilizados – 850 veículos, seis aviões e quatro helicópteros -, a força do vento limitou o uso dos meios aéreos, explicou o ministro da Agricultura e Florestas, Ibrahim Yumakli.
Moradores locais buscam ajudar os bombeiros, transportando tanques d’água em tratores. Imagens de TV mostram até vizinhos correndo com copos de água nas mãos para enfrentar as chamas.
“Se há vento, não há avião”
Em Karabük, no norte da Turquia, a província mais arborizada do país, que abriga a cidade turística de Safranbolu, o foco de incêndio “perdeu intensidade”, e o de Kahramanmaraş (sul) está agora “sob controle”, detalhou o ministro.
“Dependendo da extensão e intensidade, a capacidade do Estado de responder a esses desastres é às vezes limitada”, admitiu. “Se há vento, não há aviões, e pode levar horas ou até dias para controlar o fogo.”
Dezenove vilarejos tiveram que ser evacuados na região de Safranbolu, e mais de 3,5 mil pessoas ao redor de Bursa.
Desde a semana passada, 14 pessoas morreram combatendo os incêndios, incluindo dez guardas florestais e voluntários presos pelas chamas em Eskisehir, 150 km mais a leste.
Segundo o presidente turco Recep Tayyip Erdogan, mais de 3 mil incêndios foram registrados desde o início do verão, e as autoridades alertam que a situação continuará crítica até outubro.
“A seca é total”
De acordo com um relatório da ONU publicado no início de julho sobre desertificação, 88% do território turco está exposto ao fenômeno: com as mudanças climáticas, as chuvas devem diminuir em um terço até o fim do século, e as temperaturas devem subir entre 5 e 6°C em relação às médias de 1961-1990.
Essas previsões coincidem com os cálculos da AFP com base nos dados do programa Copernicus da União Europeia: os 22 primeiros dias de julho ficaram 1,7°C acima da média de 1981-2010, e julho de 2025 provavelmente será um dos meses de julho mais quentes já registrados na Turquia.
No entanto, o recorde de temperatura na Europa continental, homologado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), continua sendo 48,8°C, registrado na Sicília em agosto de 2021. A OMM esclareceu à AFP que Silopi não está geograficamente na Europa continental, mas na Ásia, onde os recordes históricos ultrapassam os 50°C.
Essas anomalias não passam despercebidas pela população. “Antes havia neve, muita neve. Havia água, e os riachos corriam até agora. Hoje não há mais água, nada, a seca é total”, afirma Abdurrahman Sanli, aposentado de 71 anos em Diyarbakir.
Segundo o jornal turco Bir Gün, próximo da oposição, “o governo ignorou os alertas” dos especialistas sobre o risco de incêndios, criticando a falta de planejamento e de recursos.
O jornal afirma que a parte do orçamento nacional dedicada à gestão florestal caiu de 4,5% em 2019 para 3,3% em 2025, e lembra que em 2024, 23.000 hectares de florestas foram abertos para atividades não florestais, como mineração e construção.
Grécia e Portugal
Na Grécia, após um fim de semana de intensa mobilização, os bombeiros detectaram apenas um “foco de incêndio ativo”, no campus da universidade de Atenas. Mas a vigilância continua em pontos críticos, especialmente no leste e no sul do país.
Em Portugal, com o apoio de quatro aviões espanhóis, mais de 250 bombeiros estavam mobilizados nessa segunda-feira para combater um incêndio em uma área montanhosa de difícil acesso no norte do país, perto da fronteira com a Espanha.