Rio de Janeiro, 29 de Agosto de 2025

Trump ameaça Venezuela e México

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Terça, 19 de Agosto de 2025 às 13:24, por: CdB

O discurso antidrogas é coisa que não tem qualquer sentido, pois, a se considerar a realidade, as tropas estadunidenses tem sido bastante incompetentes para dar fim ao narcotráfico.

Por Elaine Tavares – de Brasília

Não bastasse a parceria criminosa com Israel no genocídio do povo palestino, o governo dos Estados Unidos ameaça a América Latina com a retomada de intervenções militares diretas nos países sob o velho e desbotado argumento falacioso de “combate às drogas”. Para isso as campanhas mentirosas já começaram de maneira brutal. E a primeira delas é contra o presidente da Venezuela (surpresa zero), Nicolas Maduro. A coisa é tão estapafúrdia que a procuradora geral dos EUA Pamela Bondi, acusou publicamente Maduro de ser o chefe de três cartéis de narcotraficantes que atuam no México e na América do Sul. E com base nessa acusação, que não tem qualquer comprovação, aumentou a recompensa pela cabeça de Maduro, que era de US$ 30 milhões e agora está em US$ 50 milhões. Os Estados Unidos, agindo como se estivessem nos tempos do faroeste, colocam a prêmio a cabeça de um presidente democraticamente eleito, enquanto os demais mandatários latino-americanos, em sua maioria, ficam em silencio reverente.

Trump ameaça Venezuela e México | O governo dos Estados Unidos ameaça a América Latina com a retomada de intervenções militares
O governo dos Estados Unidos ameaça a América Latina com a retomada de intervenções militares

Ainda ancorado nestas mentiras, o presidente Trump deu sinal verde para que a força militar estadunidense seja usada contra cartéis que agem no México, Venezuela, Haiti e El Salvador, assim, como se fosse xerife do mundo. Inclusive já colocou para andar os barcos do Comando Sul em demonstração de força. São mais de 4 mil soldados a postos na costa do continente.

O discurso antidrogas é coisa que não tem qualquer sentido, pois, a se considerar a realidade, as tropas estadunidenses tem sido bastante incompetentes para dar fim ao narcotráfico. Basta lembrar que existem mais de nove bases militares dos EUA dentro da Colômbia e que lá, o narco segue firme e forte. Ora, se estão ali há décadas e o narco não acaba, que competência têm? Bueno, ocorre que as tropas não estão ali para combater o narcotráfico e sim para garantir os interesses políticos e comerciais dos Estados Unidos.

América Latina

Agora, visando retomar pela força o seu poder sobre a América Latina, Trump declara os narcotraficantes como terroristas e busca intervir nos países que não estão aceitando ajoelhar para seu poder, como é caso do México. A Venezuela, que conseguiu vencer a guerra econômica e o roubo de recursos bancários comandados pelos EUA, volta a ser atacada, agora com outras estratégias.

A reportagem do jornal estadunidense New York Times sobre a decisão de Trump querer atuar militarmente nos países onde hoje atuam os cartéis não deixa claro se esta proposta se pretende unilateral ou se o governo vai buscar parceria com os governos locais. Considerando que muitos países da América Latina estão com a direita no comando, pode ser bem provável que abram mão da soberania, em conluio com Trump, no apoio a mais esta intervenção. A chamada “guerra das tarifas” também tem esse objetivo intervencionista, pois pode se tornar um toma lá dá cá para reverter possíveis danos nas economias. Ou seja, é um momento bastante grave para o continente latino-americano.

A presidente mexicana, Cláudia Sheinbaum, disse na imprensa que está negociando com Trump e assegurou que não haverá intervenção. Mas, quem pode garantir? Ela também observou que a acusação sobre Maduro ter ligação com o conhecido cartel de Sinaloa não tem qualquer cabimento. Até agora foi a única a se manifestar sobre o tema.

O governo da Venezuela rebateu as denúncias apontando que a Venezuela tem sido dura no desmantelamento das armações terroristas que os Estados Unidos têm criado dentro do país e é isso que vem irritando o governo de Trump. Sobre o narcotráfico é mais do que sabido que a Venezuela é só um espaço de trânsito e não há qualquer evidência de que os cartéis estejam agindo dentro do território. Segundo Maduro este é só mais um ataque ao povo venezuelano que tem se mostrado firme na defesa de sua soberania.

A máquina de guerra dos EUA não tem parada.

 

Elaine Tavares, é jornalista e professora da UFSC.

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