Rio de Janeiro, 31 de Agosto de 2025

Sobe número de mortos de conflito na Líbia

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Terça, 09 de Abril de 2019 às 08:32, por: CdB

A Líbia se tornou a principal rota de imigrantes e refugiados africanos que tentam chegar à Europa, muitos dos quais sofrem torturas, estupros e extorsão durante a jornada.

Por Redação, com Reuters - de Trípoli/Genebra

As mortes decorrentes da batalha por Trípoli aumentaram nesta terça-feira, depois que um grupo leal ao Estado Islâmico matou três pessoas no centro remoto da Líbia, em uma demonstração de como os militantes podem explora a volta do caos ao país.
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Membros das forças militares de Misrata se preparam para linha de frente em ataque em Trípoli
A agência de saúde da Organização das Nações Unidas (ONU) disse que instalações locais relataram 47 mortos e 181 feridos nos últimos dias, agora que forças do leste tentam tomar a capital litorânea de um governo reconhecido internacionalmente. Trata-se de um número maior do que os informados por qualquer um dos lados, e que parece envolver sobretudo combatentes, mas também incluiu alguns civis, entre eles dois médicos, disse o porta-voz da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tarik Jasarevic, em uma coletiva de imprensa em Genebra. As forças do Exército Nacional Líbio (LNA), de Khalifa Haftar, um ex-general do Exército do líder deposto Muammar Gaddafi, ocuparam o sul essencialmente deserto no início deste ano e rumaram neste mês para Trípoli, onde estão instalados do lado sul. O governo do primeiro-ministro Fayez al-Serraj, de 59 anos, está tentando impedi-los com ajuda de grupos armados que partiram de Misrata em picapes armadas com metralhadoras. ONU, União Europeia, Estados Unidos e G7 apelaram por um cessar-fogo e pela retomada de um plano de paz da ONU, mas até agora Haftar não os ouviu. No extremo sul de Trípoli, um grupo leal ao jihadista Estado Islâmico atacou a cidade de Fuqaha, matando três pessoas e sequestrando outra antes de partir, disseram moradores. Fuqaha é controlada por combatentes leais a Haftar, que se retrata como inimigo do extremismo islâmico, mas é visto pelos oponentes como um novo ditador nos moldes de Gaddafi. O Estado Islâmico está ativo na Líbia desde a deposição de Gaddafi pro tropas ocidentais oito anos atrás. O grupo tomou a cidade costeira de Sirte em 2015, mas a perdeu no final de 2016 para forças locais auxiliadas por ataques aéreos dos EUA, e hoje opera nas sombras. O possível mergulho da Líbia em uma guerra civil ameaça interromper as remessas de petróleo, intensificar a migração pelo Mediterrâneo rumo à Europa e frustrar os planos da ONU para uma eleição que visa acabar com as rivalidades entre governos paralelos no leste e no oeste. A Líbia se tornou a principal rota de imigrantes e refugiados africanos que tentam chegar à Europa, muitos dos quais sofrem torturas, estupros e extorsão durante a jornada.

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