Netanyahu ignora a pressão internacional provocada por seu plano militar de ocupação da cidade de Gaza e defende a ideia de uma transferência forçada em massa da população civil do enclave.
Por Redação, com RFI – de Gaza
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, mantém o plano de ocupação da Faixa de Gaza, mas cresce em Israel a mobilização pelo fim do conflito. Várias organizações de mulheres, formadas principalmente por mães de soldados, estão na linha de frente dos protestos.

Netanyahu ignora a pressão internacional provocada por seu plano militar de ocupação da cidade de Gaza e defende a ideia de uma transferência forçada em massa da população civil do enclave. Ele chegou a propor que outros países recebam os palestinos expulsos.
O plano de expansão da guerra também gera temor em Israel, onde a mobilização pelo fim do conflito cresceu com a convocação para um bloqueio nacional no próximo domingo, exigindo o fim da guerra.
O apelo foi feito por famílias de reféns israelenses que ainda estão detidos e de soldados enviados ao front. Antes do domingo, diversas iniciativas já estavam em andamento.
Nos arredores da Faixa de Gaza, várias organizações de mulheres, formadas principalmente por mães de soldados, montaram acampamentos. Algumas dormem no local e outras se juntam às manifestações no fim do dia.
– Se o chefe do Estado-Maior diz que essa guerra precisa acabar, que ela coloca em risco os reféns e os soldados, então o que devemos pensar, nós, mães? – questiona Anabel Friedelander, uma das organizadoras.
Ela tem três filhos convocados como reservistas desde o início da guerra e não aceita que seu país continue o conflito. “Acreditamos que devemos tirar nossos filhos de Gaza, tirá-los dessa guerra, agora!”
Ronit Nahmias, avó de um reservista, também integra o movimento que protesta perto da Faixa de Gaza e aposta no sucesso das manifestações. Há quase trinta anos, liderou um movimento semelhante de mães de soldados pedindo o fim da ocupação militar israelense no sul do Líbano.
– Chega, basta, parem! Não queremos enviar nossos filhos; não entendemos qual é o objetivo dessa guerra. Alguns extremistas querem retomar toda a Faixa de Gaza, mas são loucos! Infelizmente, estão no governo neste momento…
É nesse clima de indignação que se prepara o dia de bloqueio nacional anunciado para domingo. No entanto, o movimento enfrenta resistência, já que o principal sindicato do país, a Histadrut, anunciou que não convocará greve nem apoiará o bloqueio.
Exército aprova plano para ocupar cidade de Gaza
O Exército israelense anunciou na quarta-feira que “aprovou” o plano para a tomada da cidade de Gaza, a maior do território palestino, como parte de uma nova fase da ofensiva destinada a derrotar o Hamas e garantir a libertação dos reféns.
Testemunhas relataram na quarta-feira intensos bombardeios na cidade, além da presença de tanques israelenses e fortes explosões nos bairros de Tal al-Hawa e Zeitoun, onde o Exército estava demolindo casas.
Após 22 meses de guerra, Israel pretende tomar o controle da cidade no norte do território e dos campos de refugiados vizinhos, uma das áreas mais povoadas da Faixa de Gaza, para desmantelar o que considera os últimos redutos do Hamas.
O movimento islâmico palestino denunciou na quarta-feira uma “escalada perigosa por parte de Israel”. Por ordem do gabinete militar do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, o Exército, que atualmente controla três quartos do território, prepara-se para lançar essa nova fase das operações.
O objetivo é libertar todos os reféns israelenses mantidos em Gaza e “derrotar” o Hamas. O chefe do Estado-Maior, tenente-general Eyal Zamir, “aprovou a estrutura principal do plano operacional do Exército na Faixa de Gaza”, anunciou o Exército na quarta-feira, que não divulgou o cronograma das operações.
“Os tanques avançam”
– Há vários dias, tanques avançam na parte sudeste do bairro de Zeitoun, destruindo casas. Tanques também avançam na parte sul de Tal al-Hawa – diz Ahmed Abbas, um homem de 46 anos cuja casa foi destruída em Tal al-Hawa.
– Os bombardeios são extremamente intensos. Eles se intensificaram e também há disparos de artilharia desde domingo – acrescentou.
“As explosões são massivas, há muitos ataques aéreos e os tanques ainda estão lá e vi dezenas de civis fugindo” para o oeste da cidade, acrescenta Fatoum, uma mulher de 51 anos que vive com o marido e a filha em uma barraca em Tal al-Hawa.
Segundo a Defesa Civil e fontes médicas, 18 palestinos, incluindo várias crianças, foram mortos na quarta-feira por bombardeios e disparos israelenses. Entre eles, onze aguardavam ajuda humanitária.
Os preparativos israelenses coincidem com o anúncio do Hamas de que uma delegação do movimento chegou ao Cairo para “conversas preliminares” com autoridades egípcias sobre uma nova trégua.
Benjamin Netanyahu afirmou no domingo que o plano israelense “não visa ocupar Gaza, mas desmilitarizá-la”.
Segundo o premiê, o objetivo de Israel é desarmar o Hamas, libertar os reféns, desmilitarizar Gaza, exercer um controle de segurança predominante e instaurar uma administração civil pacífica, que não será israelense.
O ataque do Hamas causou, do lado israelense, a morte de 1.219 pessoas, em sua maioria civis, segundo contagem da agência francesa de notícias Agence France-Presse (AFP) baseada em dados oficiais.
As represálias israelenses em Gaza causaram 61.722 mortes, também majoritariamente de civis, segundo dados do Ministério da Saúde do Hamas, considerados confiáveis pela ONU.
Na quarta-feira, o chefe do Estado-Maior destacou “a importância de aumentar a disponibilidade e a preparação das tropas para o recrutamento de reservistas”, uma questão política delicada, já que os ultraortodoxos, que representam potencialmente dezenas de milhares de homens, se recusam a ser convocados.
Na terça-feira, centenas de pilotos aposentados da força aérea israelense protestaram em Tel Aviv aos gritos de “Parem a guerra!”, para exigir o retorno dos reféns.
– Nunca nos opusemos a nenhuma guerra no passado. Nunca – declarou o ex-general Dan Halutz, ex-chefe do Estado-Maior do Exército. “É a primeira vez. E se pessoas que lutaram por este país durante décadas estão indo às ruas, isso significa alguma coisa”, afirmou. “É um alerta ao governo.”