No final de abril, o terreno onde está construído o espaço, e também a Ocupação Manoel Aleixo, foi arrematado em um leilão. A casa existe há quatro anos e já atendeu mais de 600 mulheres em situação de violência, além de oferecer acesso a cultura e capacitação para geração de trabalho e renda.
Por Redação, com RBA - de São Paulo
Um ato realizado na terça-feira denunciou risco de despejo da Casa Helenira Preta, localizada em Mauá, município da Grande São Paulo. No final de abril, o terreno onde está construído o espaço, e também a Ocupação Manoel Aleixo, foi arrematado em um leilão. A casa existe há quatro anos e já atendeu mais de 600 mulheres em situação de violência, além de oferecer acesso a cultura e capacitação para geração de trabalho e renda.
Espaço estava abandonado até ser ocupado para apoiar mulheres em situaçãode violência
A mobilização, organizada pelo Movimento de Mulheres Olga Benário, reuniu aproximadamente cem pessoas. Elas saíram em passeata de onde hoje está localizada a Casa Helenira Preta, ou Casa Referência para Mulher Helenira Preta, rumo ao primeiro espaço ocupado pelo movimento, no centro da cidade.
A manifestação contou com apoio da população, que parou para ouvir os motivos do ato. Ao final, foi realizada uma atividade cultural com poetas e coletivos de cultura da cidade, além de apresentação projetada na parede contando sobre o projeto. O protesto defendeu, ainda, que seja garantida moradia das 34 famílias que moram na Manoel Aleixo.
– A casa atualmente está ameaçada por um despejo. As mulheres precisam ter um lugar para estar quando estão em situação de violência e a gente não vai aceitar que Casa Helenira Preta não exista na cidade – disse Gabriela Torres Martins, integrante da coordenação do espaço.
Imóvel abandonado
As mulheres lutam pela manutenção de um trabalho feito voluntariamente. O imóvel estava abandonado até 2017, quando foi realizada a primeira ocupação acarretando a criação da Secretaria de Políticas Públicas para Mulheres de Mauá. O centro de apoio à mulheres em situação de violência foi construído a partir da ocupação, organizada pelo Movimento de Mulheres Olga Benário. Elas reivindicam políticas públicas para mulheres.
– O leilão criminoso do espaço onde está a casa Helenira Preta e a Ocupação Manoel Aleixo recebeu um lance em menos de uma hora. A partir de agora estaremos cada vez mais vigilantes nessa luta. Não permitiremos que interesses mesquinhos de alguns milionários se sobreponham ao direito das mulheres à vida e à garantia de moradia digna para o nosso povo – afirmou Gabriela, no dia do leilão.