O presidente Ali Bongo foi deposto em 30 de agosto pelos militares pouco depois de as autoridades eleitorais terem anunciado a sua reeleição para um terceiro mandato.
Por Redação, com CartaCapital e Reuters - de Cartum
O dirigente interino do Gabão, general Brice Oligui Nguema, que chegou ao poder após depor o presidente Ali Bongo, prometeu nesta segunda-feira, quando tomou posse, que devolveria o poder aos civis e realizaria “eleições livres, transparentes e credíveis”, sem especificar a data.

O general pediu a participação de todos os grupos do país para preparar uma “nova Constituição” que será aprovada por referendo para ter “instituições mais respeitosas com os direitos humanos e a democracia”.
No final do processo, “nos propomos a entregar o poder aos civis com a organização de eleições livres, transparentes e credíveis”, anunciou em um discurso após tomar posse como presidente perante os magistrados do Tribunal Constitucional.
O general expressou nesta segunda-feira a sua “surpresa” pelo golpe de Estado ter sido condenado pelas “instituições internacionais” e afirmou que os militares agiram para evitar o “derramamento de sangue”.
O presidente Ali Bongo foi deposto em 30 de agosto pelos militares pouco depois de as autoridades eleitorais terem anunciado a sua reeleição para um terceiro mandato, após 14 anos no poder.
Seu pai, Omar Bongo, governou este país rico em petróleo na África central durante mais de 40 anos.
Presidente interino
O líder de um golpe de Estado que derrubou o presidente do Gabão, Ali Bongo, foi empossado como presidente interino e celebrado por apoiadores nesta segunda-feira, em uma cerimônia televisiva destinada a apresentar os militares como libertadores de uma sociedade oprimida.
No oitavo golpe de Estado na África Ocidental e Central em três anos, oficiais do Exército liderados pelo general Brice Oligui Nguema tomaram o poder em 30 de agosto, minutos depois do anúncio de que Bongo havia vencido uma eleição que os militares anularam e consideraram não crível.
Nguema foi aplaudido de pé por oficiais quando chegou para a cerimônia, e novamente logo após ter sido empossado por um painel de juízes do tribunal constitucional.
A TV estatal mostrou imagens de uma multidão celebrando e de veículos blindados atirando no mar para marcar o momento.
Em um discurso, Nguema propôs reformas, incluindo uma nova constituição a ser adotada por referendo, novos códigos eleitorais e penais e medidas para dar prioridade aos bancos e empresas locais a fim de promover desenvolvimento econômico. Ele também disse que os exilados políticos serão bem-vindos de volta ao país e os presos políticos serão libertados.
Repetidamente interrompido por aplausos, ele descreveu o golpe, que pôs fim aos 56 anos de dinastia da família Bongo no poder, como um momento de libertação nacional e uma manifestação da vontade de Deus.
– Quando o povo é esmagado pelos seus líderes... é o Exército que lhes devolve a dignidade – disse ele. "Povo do Gabão, hoje os tempos de felicidade com que os nossos antepassados sonharam estão finalmente chegando."
Várias figuras do governo Bongo, incluindo a vice-presidente e o primeiro-ministro, participaram da cerimônia.
Bongo continua em prisão domiciliar. Ele foi eleito em 2009, substituindo seu falecido pai, que chegou ao poder em 1967. Os opositores dizem que a família fez muito pouco para partilhar a riqueza petrolífera e mineira do Gabão com os 2,3 milhões de habitantes do país.
Nguema reiterou que seu governo organizará eleições livres e justas, embora não tenha fornecido uma data.