Rio de Janeiro, 30 de Agosto de 2025

Israel dá sinal verde para ocupação da Cidade de Gaza

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Sexta, 08 de Agosto de 2025 às 10:34, por: CdB

Gabinete de segurança e assuntos políticos israelense aprovou também cinco ações imediatas para o fim da guerra. Comunicado diz que operação inclui o fornecimento de ajuda humanitária.

Por Redação, com DW – de Jerusalém

Em uma nova escalada no conflito que já dura 22 meses em Gaza, o gabinete de segurança e assuntos políticos de Israel aprovou nesta sexta-feira  o plano do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de ocupar a Cidade de Gaza, no território palestino da Faixa de Gaza.

Israel dá sinal verde para ocupação da Cidade de Gaza | Cidade de Gaza tem sido atingida por ataques israelenses em conflito que já dura quase dois anos
Cidade de Gaza tem sido atingida por ataques israelenses em conflito que já dura quase dois anos

Após a decisão, o gabinete divulgou um comunicado no qual afirma que a maioria dos ministros não acredita que o plano alternativo apresentado anteriormente alcançaria a derrota total do Hamas nem o retorno de todos os reféns.

A nota também diz que as operações do Exército israelense devem incluir o fornecimento de ajuda humanitária.

Os militares irão “se preparar para assumir o controle da Cidade de Gaza, ao mesmo tempo em que fornecerão ajuda humanitária à população civil fora das zonas de combate”, diz o texto.

O comunicado ainda cita cinco ações imediatas para o fim da guerra: o retorno de todos os reféns israelenses, vivos ou mortos; o desarmamento do Hamas; a desmilitarização da Faixa de Gaza; segurança controlada por Israel na Faixa de Gaza; instalação de um governo civil alternativo que não seja o Hamas ou a Autoridade Palestina.

Apesar das críticas cada vez mais intensas no país e no exterior sobre a guerra que já dura quase dois anos no território palestino, Netanyahu afirmou na quinta-feira que defende que Israel assuma o controle militar de toda a Faixa de Gaza.

– É nossa intenção – disse, em entrevista à emissora norte-americana Fox News quando questionado se Israel assumiria o controle de todo o território. Ele também declarou que o plano, após tomar a região, seria Israel entregar o território a forças árabes que o governariam.

O Hamas rebateu os planos de Netanyahu, afirmando que o povo de Gaza “continuará desafiando a ocupação” e que “expandir a agressão contra o povo palestino não será fácil”. Chamou, ainda, a decisão de tomar o controle da Cidade de Gaza de “crime de guerra.”

O grupo islâmico é considerado uma organização terrorista pela União Europeia (UE), Alemanha, Estados Unidos (EUA) e outros.

Oposição classifica plano como “catástrofe”

O líder da oposição israelense, Yair Lapid, descreveu a decisão do Gabinete de Segurança de capturar a Cidade de Gaza como uma “catástrofe” que “levará a muitas outras catástrofes”, escreveu na plataforma X nesta sexta-feira.

Ele também disse que a tomada planejada da maior cidade da Faixa de Gaza deverá levar à morte de mais reféns, bem como à morte de muitos soldados israelenses.

Lapid argumentou que Netanyahu foi pressionado pelos parceiros de coalizão governamental, os ministros Itamar Ben-Gvir (Segurança Nacional) e Bezalel Smotrich (Finanças), e que a aprovação do plano contraria os objetivos das lideranças militares de Israel.

Ultradireitistas, ambos os ministros defendem a captura total da Faixa de Gaza e a expulsão dos cerca de 2 milhões de palestinos que vivem no território.

Críticas de Londres e Pequim

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, classificou o plano como “errado”: “Essa medida não contribuirá para o fim do conflito nem para a libertação dos reféns”, afirmou, alertando que novas ações de Israel “só levarão a mais derramamento de sangue”.

China também se manifestou, expressando “sérias preocupações” com o plano, instando Israel a “cessar imediatamente suas iniciativas perigosas”.

– Gaza pertence ao povo palestino e é parte inseparável do território palestino – declarou um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês por meio de uma mensagem à agência francesa de notícias Agence France-Presse (AFP).

– A maneira correta de aliviar a crise humanitária em Gaza e garantir a libertação dos reféns é um cessar-fogo imediato. A resolução completa do conflito em Gaza depende de um cessar-fogo. Só assim será possível pavimentar o caminho para aliviar as tensões e garantir a segurança regional – concluiu o porta-voz.

ONU: plano deve ser interrompido

O chefe de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Volker Turk, disse nesta sexta-feira que uma escalada militar por parte de Israel para tomar a Cidade de Gaza causará mais mortes e sofrimento e deve ser interrompido imediatamente.

Em comunicado, Turk afirmou que o plano israelense vai na direção oposta à decisão da Corte Internacional de Justiça (CIJ), que insta Israel a pôr fim à ocupação o mais rápido possível, além de chegar a uma solução de dois Estados e ao direito dos palestinos à soberania.

– Com base em todas as evidências até o momento, essa nova escalada resultará em mais deslocamentos forçados em massa, mais mortes, mais sofrimento, destruição insensata e crimes atrozes. Em vez de intensificar essa guerra, o governo israelense deveria colocar todos os esforços para salvar a vida dos civis de Gaza, permitindo o fluxo total e irrestrito de ajuda humanitária. E os reféns devem ser libertados imediatamente e incondicionalmente pelos grupos armados palestinos – declarou Turk.

Quase 200 palestinos morreram de fome em Gaza desde o início da guerra, cerca de metade deles crianças, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, órgão ligado ao Hamas.

Cerca de 1,2 mil pessoas foram mortas e 251 reféns levados para Gaza no ataque terrorista do Hamas a comunidades do sul de Israel em 7 de outubro de 2023. A retaliação israelense em Gaza desde então deixou mais de 61 mil palestinos mortos, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza.

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