A vala comum contém “militares executados pelo EI”, membros da minoria yazidi e habitantes de Mossul, detalhou o responsável.
Por Redação, com RFI – de Brasília
As autoridades iraquianas iniciaram os primeiros trabalhos de exumação de uma vala comum no norte do país, informou neste domingo um responsável à agência francesa de notícias Agence France-Presse (AFP). Esse local, abandonado pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI), pode conter milhares de vítimas. Essa “primeira fase”, iniciada em 10 de agosto, inclui escavações “nos arredores da fenda natural de Khasfa”, explicou Ahmed al Assadi, diretor das equipes encarregadas de exumar os cemitérios coletivos.

Sob a areia, os especialistas descobriram crânios humanos perto de Mossul. A metrópole do norte do Iraque era o antigo reduto dos jihadistas, que cometeram uma série de atrocidades após sua ofensiva em 2014, até serem derrotados no país no final de 2017.
O local do poço natural de Khasfa, com cerca de 150 metros de profundidade e 110 metros de diâmetro, foi palco em 2016 de “um dos piores massacres” cometidos pelos jihadistas, que executaram em um único dia 280 pessoas, a maioria agentes do Ministério do Interior, segundo as autoridades locais.
“Não há estimativas precisas do número de vítimas” nessa vala comum, ressaltou Assadi. Números oficiais mencionados anteriormente variavam entre 4 mil e 15 mil pessoas. Um relatório da ONU de 2018 afirmou que poderia ser o maior massacre do país.
A vala comum contém “militares executados pelo EI”, membros da minoria yazidi e habitantes de Mossul, detalhou o responsável.
Ahmed al Assadi destacou a dificuldade de acessar esse cemitério coletivo porque águas sulfurosas correm no subsolo e tornam o terreno muito poroso. Essa água pode ter corroído os esqueletos e dificulta a coleta de amostras de DNA pelos médicos-legistas, cruciais para a identificação dos restos humanos, acrescentou.
Ofensivas sucessivas
Após uma rápida ascensão, o EI enfrentou ofensivas sucessivas no Iraque e na vizinha Síria, até perder todo o controle territorial nesses dois países. No Iraque, o grupo deixou para trás mais de 200 valas comuns que podem conter até 12 mil corpos, segundo a ONU.
Além dessas valas comuns, o Iraque continua até hoje a descobrir cemitérios coletivos datados do regime de Saddam Hussein, derrubado pela invasão americana de 2003.