Mourão disse acreditar que, em breve, Bolsonaro cumprimentará o novo presidente dos EUA e não acredita em tensões entre os dois países. Apenas quatro países ainda não cumprimentaram Biden pela vitória.
Por Redação - de Brasília
Embora o governo brasileiro tendo evitado até agora, uma semana depois das eleições nos Estados Unidos, cumprimentar o presidente eleito Joe Biden por vencer nas urnas o rival Donald Trump (Republicano), que concorria a um segundo mandato, o vice-presidente da República, general Hamilton Mourão (PRTB), afirmou nesta sexta-feira que vê a vitória do democrata como "cada vez mais irreversível".
— Como indivíduo eu julgo que a vitória de Joe Biden está cada vez mais irreversível — disse o vice-presidente, em entrevista a uma emissora de Rádio do Rio Grande do Sul.
Diplomacia
Mourão disse ainda acreditar que, em breve, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) deve cumprimentar o novo presidente dos EUA e que não acredita em tensões entre os dois países. Apenas quatro países até agora não cumprimentaram Biden pela vitória. Além de Brasil, Rússia, México e Coreia do Norte não reconheceram o democrata, depois da China parabenizá-lo, nesta sexta-feira.
O vice-presidente minimizou a polêmica fala de Bolsonaro esta semana em que, ao citar as advertências de Biden em relação ao desmatamento da Amazônia, o presidente afirmou que quando “a saliva (a diplomacia)” acaba, resta a pólvora.
— O presidente, a gente tem que prestar mais atenção nas ações que nas palavras — disse.
'Delírio'
Sobre outra polêmica com o presidente esta semana, Mourão admitiu que a proposta de expropriar terras em casos de desmatamento ilegal ou grilagem foi apresentada no Conselho Nacional da Amazônia, como revelou o diário conservador paulistano O Estado de S. Paulo, mas ainda era apenas uma ideia. Segundo Mourão, as ideias constantes do documento foram enviadas aos ministérios, serão analisadas e cada um deles deverá apresentar suas impressões. Só se houver um consenso sobre o tema isso será levado ao presidente.
Ao saber da proposta pelo jornal, Bolsonaro a taxou de “delírio de algum do governo” ou mentira da imprensa. Depois, a apoiadores, afirmou que se fosse de alguém do governo seria demitido, a menos que fosse “indemissível” —no caso, o vice-presidente. Mourão afirmou, por último, que não conversou ainda com Bolsonaro sobre a proposta.