Rio de Janeiro, 29 de Agosto de 2025

China sai em defesa do Brasil, contra medidas norte-americanas

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Sexta, 11 de Julho de 2025 às 19:48, por: CdB

Na entrevista coletiva realizada nesta manhã pelo Ministério das Relações Exteriores da China, a porta-voz Mao Ning condenou a tentativa de Trump de usar tarifas como ferramenta de pressão política e diplomática.

Por Redação, com Xinhua – de Pequim

Em um ato raro para a diplomacia de Pequim, o governo chinês criticou nesta sexta-feira a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor ao Brasil a sobretaxa de 50% sobre seus produtos, em uma medida classificada como interferência direta em assuntos internos de um país soberano.

China sai em defesa do Brasil, contra medidas norte-americanas | A ministra chinesa do Comércio Exterior se pronunciou contra as medidas de Trump
A ministra chinesa do Comércio Exterior se pronunciou contra as medidas de Trump

Na entrevista coletiva realizada nesta manhã pelo Ministério das Relações Exteriores da China, a porta-voz Mao Ning condenou a tentativa de Trump de usar tarifas como ferramenta de pressão política e diplomática.

— As tarifas não devem se tornar ferramentas de coerção, intimidação ou interferência nos assuntos internos de outros países — afirmou Mao.

 

Relação

O anúncio do governo dos EUA ocorreu por meio de carta assinada por Trump e divulgada em uma rede social, algo que destoa do trâmite diplomático normal. No documento, o mandatário norte-americano acusou o Brasil de promover “ataques insidiosos às eleições livres e aos direitos fundamentais de liberdade de expressão dos americanos”; além de citar um déficit comercial na relação com o Brasil, o que é um equívoco. A balança do comércio exterior pende mais para Washington do que para Brasília.

Mao Ning também foi enfática ao destacar que “a igualdade soberana e a não interferência em assuntos internos são princípios importantes da Carta das Nações Unidas e também normas básicas das relações internacionais”.

A declaração desta sexta-feira ocorre no momento em que a diplomacia chinesa avalia a cúpula do BRICS, encerrada na segunda-feira no Rio de Janeiro.

 

Cooperação

Anteriormente, Mao já havia rebatido outra ameaça do presidente norte-americano, que previa sobretaxa de 10% a produtos oriundos de qualquer país que se alinhasse às “políticas antiamericanas” do bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

— Esse grupo visa à cooperação entre países emergentes e não tem nenhum país como alvo — esclareceu a porta-voz, durante a cúpula.

Mao reiterou, ainda, a posição de Pequim contra medidas unilaterais e protecionistas ao afirmar que “não há vencedores em guerras comerciais e tarifárias, e o protecionismo não leva a lugar nenhum”.

 

‘Covarde’

Lula, por sua vez, ironizou nesta sexta-feira Donald Trump e Jair Bolsonaro (PL), ao afirmar que o ex-mandatário neofascista enviou um dos filhos aos Estados Unidos para pedir ao presidente norte-americano que imponha tarifas ao Brasil, na tentativa de livrar o pai da cadeia.

Em discurso durante ato do governo no Espírito Santo, Lula ridicularizou o fato de o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) ter se licenciado do mandato para morar nos EUA, onde tem atuado para buscar punição a autoridades brasileiras por causa do processo enfrentado por Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.

— Aquela coisa (Bolsonaro) covarde que preparou um golpe neste país, não teve coragem de fazer, está sendo processado, vai ser julgado e mandou o filho dele para os Estados Unidos pedir para o Trump fazer ameaça. ‘Ah, se não liberarem o Bolsonaro, eu vou taxar vocês’ — parodiou Lula, em evento sobre o acordo de reparação para os afetados pelo rompimento de barragem de mineração em Mariana (MG).

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