Rio de Janeiro, 31 de Agosto de 2025

Após denunciar estupros, indígena obtém semiliberdade no Amazonas

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Terça, 29 de Julho de 2025 às 13:47, por: CdB

Magistrado concluiu que a prisão domiciliar, solicitada pela defesa, não atenderia às necessidades da reeducanda.

Por Redação, com CartaCapital – de Brasília

A Justiça do Amazonas decidiu transferir para o regime de semiliberdade a indígena de 29 anos da etnia Kokama que permaneceu presa por mais de nove meses em uma delegacia de Santo Antônio do Içá com detentos homens.

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Indígena que denunciou abusos na prisão deixa regime fechado no AM

A decisão foi divulgada nesta terça-feira pelo portal UOL. Durante o período em que esteve detida, a índigena, identificada pelas iniciais L.M.S., denunciou ter sofrido agressões físicas e morais, além de estupros praticados por policiais militares e um guarda municipal, que foram presos após as acusações.

A concessão de semiliberdade partiu do juiz Diego Martinez Cantoario, da 1ª Vara de Execução Penal de Manaus. O magistrado destacou que a prisão domiciliar, solicitada pela defesa, não atenderia às necessidades da reeducanda, já que poderia provocar isolamento e dificultar sua ressocialização. Para ele, a semiliberdade garante melhores condições de acompanhamento social, psicológico e cultural.

Estatuto do Índio

Previsto no Estatuto do Índio (Lei nº 6.001/1973), o regime de semiliberdade permite que indígenas cumpram pena em unidades de assistência ligadas à Funai, próximas às suas comunidades de origem. Na decisão, o juiz ordenou que a Fundação Nacional dos Povos Indígenas seja responsável por acompanhar o caso e garantir a execução da medida.

– Considerando a situação da reeducanda, que é indígena da etnia Kokama, e a necessidade de resguardar sua dignidade, saúde e integridade física, psíquica e cultural, a semiliberdade oferece um ambiente mais propício para o atendimento dessas especificidades, que não poderiam ser atendidas da mesma maneira sob o regime de prisão domiciliar – afirmou Cantoario.

Segundo ele, “a apenada permaneceu em situação de extrema violência por nove meses e 17 dias, em desrespeito absoluto à sua integridade física e moral”.

A indígena move uma ação contra o Estado do Amazonas, responsabilizando-o por sua prisão irregular e pelas violências sofridas. Laudos periciais confirmaram marcas no corpo compatíveis com os abusos relatados.

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