Os dados começaram a ser coletados no final de maio e indicam a intensificação da violência de Israel contra civis.
Por Redação, com CartaCapital e RFI – de Gaza, Beirute
Mais de 1.370 palestinos foram mortos em Gaza desde 27 de maio durante entregas de ajuda humanitária, a maioria pelas mãos do Exército israelense, informou a ONU nesta sexta-feira.

“No total, desde 27 de maio, pelo menos 1.373 palestinos foram mortos enquanto buscavam comida”, afirmou o escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos nos Territórios Palestinos em um comunicado.
“A maioria desses assassinatos foi cometida pelo Exército israelense”, afirmou.
“Embora estejamos cientes da presença de outros grupos armados nas mesmas áreas, não temos informações que indiquem seu envolvimento nesses assassinatos”, acrescentou o escritório.
A delegação da ONU relatou que 859 pessoas foram mortas perto das instalações da Fundação Humanitária de Gaza (GHF, na sigla em inglês), uma organização apoiada por Israel e pelos Estados Unidos, e 514 ao longo das rotas de transporte de alimentos.
Segundo o escritório da ONU, a maioria das vítimas “parecem ser homens e meninos jovens”.
“Esses não são meros números”, enfatizou o escritório, afirmando que não tem informações que indiquem que as vítimas “participaram diretamente das hostilidades ou representaram uma ameaça às forças de segurança israelenses”.
Israel intensifica bombardeios contra o Hezbollah no Líbano
A tensão entre Israel e o Hezbollah voltou a aumentar na quinta-feira, com novos bombardeios israelenses contra alvos estratégicos do grupo libanês no leste e sul do Líbano. Segundo o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, os ataques visaram “infraestruturas terroristas”, incluindo um importante centro de produção de mísseis de precisão do Hezbollah, localizado na região da planície do Bekaa.
Conforme o Exército israelense, os alvos incluíram fábricas de explosivos e um complexo subterrâneo dedicado à produção e armazenamento de armamentos estratégicos. As autoridades militares afirmam que o Hezbollah tentava reabilitar essas instalações, em violação direta ao acordo de cessar-fogo firmado entre os dois países, em novembro de 2024.
A Agência Nacional de Informação do Líbano confirmou múltiplos ataques aéreos nas regiões oriental e meridional do país. O ministro Katz declarou que “qualquer tentativa do Hezbollah de se reestruturar ou ameaçar novamente será respondida com intensidade implacável” e responsabilizou o governo libanês por impedir violações do acordo.
O cessar-fogo de novembro de 2024 pôs fim a mais de um ano de hostilidades, incluindo dois meses de guerra aberta entre Israel e o Hezbollah, que resultaram em milhares de mortos e um êxodo massivo de civis libaneses. Pelo acordo, o Hezbollah deveria retirar suas forças para o norte do rio Litani, a cerca de 30 km da fronteira israelense, enquanto Israel se comprometeu a retirar suas tropas do sul do Líbano — o que ainda não ocorreu completamente.
Líbano defende desarmar o Hezbollah
O presidente libanês, Joseph Aoun, afirmou nesta quinta-feira que o país está sob intensa pressão internacional para desarmar o Hezbollah. Em discurso durante a celebração do Dia das Forças Armadas, Aoun declarou que deseja “retirar as armas de todos os grupos armados, inclusive do Hezbollah, e entregá-las ao Exército libanês”, destacando que o monopólio da força é essencial para restaurar a soberania nacional.
A declaração ocorre em meio a negociações com os Estados Unidos sobre um plano de desarmamento, que deve ser discutido no Conselho de Ministros na próxima semana. O presidente também pediu o fim dos bombardeios israelenses, a retirada das tropas israelenses de cinco posições no sul do país e a libertação de prisioneiros libaneses.
Em resposta, o líder do Hezbollah, Naïm Qassem, afirmou que qualquer tentativa de desarmar o grupo equivale a “servir ao projeto israelense”. Ele acusou o enviado americano Tom Barrack de usar ameaças e intimidação para favorecer os interesses de Israel.
Apesar do cessar-fogo ainda em vigor, os ataques israelenses continuam, com o Hezbollah evitando responder militarmente. A comunidade internacional, por sua vez, exige o desarmamento de grupos armados e reformas estruturais como condição para apoiar a reconstrução do Líbano, que enfrenta uma das piores crises econômicas de sua história.